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meia cura #1

  • Writer: Julia Amado
    Julia Amado
  • Apr 18
  • 2 min read

comida, cultura e coisas no ponto certo o começo

eu sempre gostei mais do que está no meio.

nem totalmente pronto, nem completamente cru — aquele ponto em que as coisas começam a fazer sentido. um prato que melhora no dia seguinte, uma ideia que ainda não fechou, um lugar que você descobre antes de todo mundo.

o Meia Cura nasce um pouco disso.

um espaço pra guardar o que eu fui vendo, comendo, ouvindo e gostando ao longo da semana — sem muita regra, mas com algum critério.

da semana

Alcova Bar — escondido em Perdizes, com entrada discreta marcada por um noren. lá dentro, um “porão” com paredes terracota meio rosadas, balcão de madeira lindo e vários ambientes que deixam tudo mais íntimo e descolado ao mesmo tempo. a comida do chef Luis Felipe muda o tempo todo, guiada pelo que está mais fresco e pelas ideias do dia — e é realmente incrível. os drinks do Takeshi acompanham à altura. a curadoria musical também faz diferença.

Bienal de Arquitetura Brasileira — acontece no Ibirapuera até 30/4 e vale a visita. é o tipo de programa que ajuda a apurar o olhar — você atravessa os espaços, entende materiais, proporções, ideias. arquitetura como experiência, não só como forma. https://www.bienaldearquiteturabrasileira.com/

uma caminhada sem destino em pinheiros — entrar em uma loja ou outra sem pressa ainda é uma das melhores formas de achar coisas boas. gostei especialmente das lojas de designers de moda brasileiros na rua Mateus Grou.

Coffee Lab (agora na Aspicuelta) — mudou de endereço, mas continua sendo um dos melhores cafés da cidade. gosto do caffè con panna.


na mesa

tenho pensado bastante em sazonalidade.

gosto de comprar o que está realmente bom — e agora são as abóboras. tenho feito de tudo com elas, sempre começando do mesmo jeito: assadas, que é como você extrai o melhor sabor.

essa semana fui por caminhos diferentes.

uma versão com especiarias mais “oriente médio”, com pimenta síria e cominho. uma lasanha aberta com abóbora, sálvia e pupunha. e, com a sobra (sempre assada), uma salada com queijo feta e sementes de abóbora tostadas

.

no meio disso tudo, fiquei presa em uma coisa muito simples: iogurte + limão + azeite + dill.

fica ácido, fresco, meio viciante. vai bem com peixe, legumes ou só com pão mesmo.

fora dela

tenho escutado música mais calma do que o normal — talvez reflexo de tempos conturbados demais. nada muito específico, só deixando tocar. Honora — álbum recém-lançado de Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers. é o primeiro trabalho solo dele e vai por um caminho mais íntimo, puxado pro jazz. não é um disco que chama atenção de primeira — ele vai acontecendo, meio silencioso, e quando você percebe já entrou no clima. tenho escutado mais no fim do dia.

e uma dica ótima: o MEC lançou o aplicativo MEC Livros, com mais de 8 mil títulos gratuitos. tem clássicos da literatura brasileira e internacional — uma biblioteca enorme no seu bolso. já baixei.

acho que é isso.

se alguma coisa daqui fizer sentido pra você, já valeu.

até a próxima.


 
 
 

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